Poema: Andarilho


Andarilho

Senhor, as coisas estão tão difíceis.
Eu quero tanto desistir.
Quero apenas deitar minha cabeça,
E do sono da morte me revestir.

Eu ando pelas ruas,
Eu ando pelos becos.
Não há ninguém por mim,
A não ser este meu corpo seco.

Ando sempre a chorar.
Já não aguento a solidão.
Já não aguento ser ninguém,
Apenas um fantasma na multidão.

Por que isso acontece?
Por que preciso passar por isso?
Queria tanto ter um lar.
Queria tanto fugir disso.

Sou pobre, sou miserável.
Não tenho nada nem ninguém.
Mas tenho um coração.
Eu sou um ser humano também.



                                                                                                                                   Wesley San Peixoto

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